1 de fev de 2017

Presidente do CRF-RJ Dr. Marcus Athila, encaminhou a redação do Fantástico da Rede Globo um ofício a respeito da reportagem denominada “Testes revelam verdades sobre medicamentos genéricos no Brasil”

Senhores,
 Reafirmando, mais uma vez, a qualidade de seus programas, a edição do Fantástico, do último dia 29 de janeiro, exibiu toda a capacidade jornalística de sua equipe, cuja excelência é demasiadamente conhecida dos telespectadores brasileiros. 
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É de ver que a negligência da Anvisa, em descumprir suas atribuições fiscalizatórias, tem martirizado inúmeros consumidores, como vez por outra a Imprensa noticia. São desastres inconcebíveis que mais demonstram a luta voraz pela conquista de médicos e público pela via do simples e desenfreado mercantilismo. 
Se o descompasso, entre o que recomenda a técnica farmacêutica e a deficiência de substância ativa, é delito, conforme previsibilidade legal, estranha-se que aquela Agência tenha recebido a notícia, levada pelos encarregados da reportagem, com uma placidez omissiva que, inobstante, não usa com farmácias de manipulação, atormentadas por sucessivas Resoluções que lhes aplicam regras insuportáveis, como se indústrias fossem, o que tem gerado especulações de que esse rigor seletivo tem por fim a reserva de mercado às indústrias, quer produtoras de remédios de referência, ou de genéricos.
Vê-se, por isso, que o tema da reportagem, a impor um aprofundamento imprescindível, ultrapassa em muito a questão do confronto entre os medicamentos de referência e os outros, mesmo porque restou a sensação, ao telespectador, de que as indústrias dos medicamentos de referência, que não sofreram a mesma devassa investigativa, seriam as beneficiárias imediatas do temor infundido pela reportagem à população, o que resultará fatalmente no aumento do consumo dos medicamentos de referência.
De qualquer modo, deixar por conta de laboratório a incumbência de zelar pela pureza da elaboração de medicamentos e das pesquisas consequentes é, como disse o Mestre Doutor Anthony Wong, abandonar ao lobo a defesa do galinheiro. 
 O estabelecimento do método, a cargo das indústrias, a referendo da Anvisa, não passa de burocracia de frágil explicação e justificador de papelório vazio de racionalidade.
Na expectativa de que o tema, de grande importância social, não se perca com o mero passar do tempo, nem se resuma à indústria dos genéricos, colocamo-nos ao inteiro dispor dessa emissora de televisão para colaborar em futuras reportagens que levem ao povo temas de seu inalienável interesse.

Atenciosamente,
Marcus Athila - Presidente do CRF-RJ

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